• Welliton Girotto

Conheça Matera, na Itália


Capital Européia da Cultura 2019.


Nove mil anos de história e charme.


Para entender a centralidade de Matera na história da cultura lucana (e da Itália), não precisamos ter uma pintura de Luigi Guerricchio em casa ou ter a fortuna de um pai culto e amoroso que falou com os filhos sobre Carlo Levi e Rocco Scotellaro.


Certamente ajudaria a entender porque a cidade de nove mil anos, uma das três mais antigas do mundo, depois de Aleppo e Jericó, se prepara para viver em 2019 o papel de Capital Europeia da Cultura.


O filme de 1964 de Pier Paolo Pasolini, “Il Vangelo secondo Matteo”, ambientado na cidade de Lucan (então Matera) propôs ao mundo a beleza pungente e arcaica daquela paisagem urbana construída no tufo. O grande poeta e diretor, que morreu em 1975, teve o sonho não tão secreto de manter Matera no estágio pré-moderno para sempre.


A importância de Matera no sistema cultural italiano (e europeu) reside não apenas na beleza da paisagem urbana que se tornou o cenário evocativo de dezenas de filmes, como “Houve uma vez”, em italiano “C’era”, de Francesco Rosi, “Allonsanfàn” dos irmãos Taviani, para não mencionarmos sempre e apenas a “Paixão de Crsito” de Mel Gibson. Matera foi importante na história do Sul também porque representava uma elite que no crucial 1860 se juntou aos comitês cívicos de Moliterno para ir ao resgate dos Mil de Garibaldi. E aqui as primeiras medidas públicas foram tomadas por Michele Torraca, que com seu discurso no Parlamento estimulou os princípios do século XX a viagem de Giuseppe Zanardelli em Basilicata, outro marco da lenta passagem dessas terras atrasadas em direção à era do desenvolvimento.

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